Geração Invencível entrevista Fernando Coelho!
Um
militante fervoroso que defende um mandato democrático e participativo
junto as classes oprimidas. Este é o perfil de Fernando Coelho,
candidato pela primeira vez a deputado estadual pelo PSOL- Rio de
Janeiro. Com 30 anos de idade, o jovem militante começou uma campanha
tímida, na base do boca-a-boca entre seus amigos, chamados por ele de
"companheiros" e que pouco a pouco tem alcançado as redes sociais. Em
sua página no facebook (www.facebook.com/ fernandocoelhoparaty),
Fernando denuncia os desmandos do poder público e aponta soluções.
Ex-atleta de Taekwondo, acredita na junção entre esporte, educação e
cultura nas bases sociais oprimidas como ferramenta para transformação
de uma sociedade mais justa e igualitária. Através das redes sociais
efetua a tarefa de fiscalizar o poder executivo. Ele é administrador
conosco e em algumas outras páginas como Vírus Planetário, Esquerda
Revolucionária e Eu Tenho Ligação Com Marcelo Freixo.
A partir de agora a página Geração Invencível traz um bate-papo exclusivo com Fernando Coelho.
Geração Invencível: Fernando, por qual motivo você decidiu participar do processo eleitoral?
Fernando
Coelho: Saudações a todos. Tive esse “rompante” ainda em 2012, pouco
depois do pleito municipal. Sou de Paraty, uma cidade pequena, porém,
com deficiências similares as da capital. O sistema neoliberal tem sido
um seguimento constante em todos os mandatos que tivemos. Para quem não
conhece o sistema neoliberal, darei uma previa bem resumida... É este
sistema onde o executivo passa a utilizar contratos com setores privados
(as chamadas PPP’s, Parceria Público Privado). Em Paraty tivemos boa
parte dos setores da saúde terceirizados (assim como no Rio de Janeiro),
incluindo mão de obra (para que abrir concurso público se podem ter o
funcionalismo de cabresto, não é?). Outros setores também foram terceirizados, boa parte
urbanismo, limpeza etc. Utilizei a cidade onde vivo para que as pessoas
compreendam que o sistema neoliberal tem dominado não apenas as
capitais, mas também cidades do interior de toda a federação. Esta
crescente se dá, certamente, pelo “toma lá da cá”, onde empresas
financiam campanhas para depois prestarem serviços para estes municípios
(boa parte superfaturada, logicamente)... Esse é o ponto chave para
decifrar boa parte da corrupção existente em nosso país, acho que isto
unido as frustrações e decepções políticas, a ausência de políticas
sociais de base. Mas o que garantiu mesmo esse meu anseio, foi viver
diariamente acompanhando cada passo do estado opressor, ali eu tive certeza
da necessidade de fazer algo. Com a remoção criminosa da Aldeia
Maracanã, a tentativa de demolir a Escola Friedenreich, Julio Delamare e
o Célio de Barros, quando a população lutou contra a privatização do
Maracanã e o governo fingiu não escutar, quando os educadores foram
espancados pelo aparato opressor do estado em movimento de greve
legítimo, quando removeram de maneira brutal os moradores da “favela da
TELERJ”, quando a juventude foi espancada/oprimida por tentar gritar
para o mundo sobre todas estas barbáries entre muitas outras que não
citei aqui. Foi aí que decidi de vez em participar do pleito de
2014.
GI:
Como você entende o seu papel de oposição sabendo que hoje tanto a
Câmara Municipal como a Assembleia Legislativa são compostas em sua
maior parte por parlamentares da base governista (PMDB)? O trabalho será
mais difícil?
Fernando:
Até o momento o PMDB é maioria... Mas as eleições estão aí, eles tem
muitos votos de cabresto e dinheiro da iniciativa privada para gastar em
suas campanhas, mas acho que eles irão perder algumas cadeiras na ALERJ
e na Câmara Federal. Talvez o PR seja posição este ano e quem conhece o
Garotinho, sabe bem que ele não é muito diferente destes aí, ele mesmo
foi quem levou Sérgio Cabral ao governo, alguém lembra?
Não
vejo problema em ser oposição, bem pelo contrário... Todos os
parlamentares deveriam ser oposição aos governos, é isto que equilibra. O
problema todo é que muitos “legisladores” são eleitos por meios
espúrios, com financiamento de campanha bancado por empreiteiras,
empresários etc... Para eles não existe almoço grátis, como costuma
dizer meu querido companheiro Chico Alencar. Eles entram lá para
trabalhar para as empresas que patrocinam suas campanhas e para isto,
garantem a blindagem do executivo também. Veja o caso recente do
Bethlem? Quem viu o discurso da Leila para blindar ele, certamente ficou
chocado. “Ele me ajudou muito”.. rs. Onde está lotado o filho dela? Ai
ai...
GI:
Em todo o país, mas especialmente no Rio de Janeiro, os protestos de
junho/2013 tiveram grande repercussão apontando novos rumos para a política. O
que podemos tirar de lição deste movimento?
Fernando:
O que podemos (nós, sociedade civil) tirar destes movimentos? Acho que
devemos aprender com essa juventude que está e esteve aí nas ruas. Mas
quem realmente deveria tirar como lição são nossos governantes, nossos
parlamentares e os tribunais que sentenciam os oprimidos sem chance de
defesa.
GI: Na sua opinião, quais os principais problemas do Rio de Janeiro?
Fernando:
Nossos principais problemas? Acho que o principal problema é o nosso
governo, ele é o verdadeiro vilão. Sei que vai parecer repetitivo, mas é
como falei. A violência é fruto do próprio estado, que ao invés de
educar, oprime, e com isto, produz opressores. Devemos tratar nossa
sociedade de maneira humana, nossos jovens são meras estatísticas para a mídia corporativa e para o estado que infelizmente tentam jogar a
“sujeira” para longe das classes mais abastadas. As remoções são o
exemplo perfeito do que estou falando, o estado, revistas e jornais
elitistas, tentam por todos os meios criminalizar a pobreza. Isso tudo é
feito de acordo com os “patrocinadores”, quem especula imóveis no Rio
de Janeiro também patrocina campanhas, olhem bem os financiadores de
campanhas, pois eles também governam. Terceirizações tenebrosas como as
da saúde e educação... Existem coisas que os únicos motivos para
terceirizarem são: Para desvio de verbas públicas, ou pelo gestor do
estado e das secretárias serem incompetentes. Educação tem sobras no
orçamento, porque não investir em melhores salários para os educadores,
por exemplo? Só vejo os professores apanhando, como pode isto? Não entra
na minha cabeça a forma com que os nossos educadores são tratados, não é
natural, não deve ser tratado com naturalidade.
Os
casos de violência apenas aumentam e com isto, aumentam também a
repressão as classes menos abastadas. Como dito por você mesmos, defendo
a interação entre Educação, Esporte e Cultura para lidar com os
problemas da sociais, conhecidos popularmente como problema com a
violência. Não seria muito mais útil levar Educação em tempo integral
(com atividades esportivas e culturais), saúde e saneamento básico para
as comunidades? O Sérgio Cabral levou o que? Levou UPP, apenas o aparato
opressor. Alguém já viu policia (militarizada, ainda por cima) educar e
tratar enfermos? Pois é... Toda esta violência é fruto da violência do
estado. É como a “lei de causa e efeito". Se você trata a sociedade com
violência, ela certamente nos trará um retorno violento.
GI: Por que você decidiu ingressar pelo PSOL? você se identifica com o partido?
Fernando:
E muito! Sou socialista e também libertário. Gosto muito da visão da
companheira Rosa Luxemburgo... Mas tenho meus momentos Che Guevara
quando vejo as classes dominantes esmagando as classes oprimidas e
minoritárias. Não sei lidar com covardes, tenho asco a gente covarde.
GI: Quais suas principais propostas?
Fernando:
Minha proposta é de fazer um mandato participativo, junto as
classes/categorias trabalhistas oprimidas pelo estado. Meu mandato será amplo para os educadores, quero construir o mandato com eles,
principalmente. É a categoria que pode salvar o nosso futuro como
sociedade civil organizada, sem eles, jamais conseguiremos atingir os
objetivos desejados de uma sociedade livre, igualitária e humana. Não
temos como evoluir sem ser por eles. Fora isto, podem esperar uma
fiscalização acirrada ao estado, sem dúvidas.
GI:
Que mensagem você teria para o nosso público alvo, especialmente os
cariocas, tão decepcionados com os rumos da política?
Fernando:
É... rs. O nosso estado consegue ser tão competente no seu objetivo de
desconstrução, "DESgovernar", que formou vários anarquistas
inconscientes, formaram até anarcocapitalistas, é mole? E não estou me
referindo aos anarquistas de fato, os que costumo chamar de
“Bakunianos”, com todo carinho e respeito, estes eu chamo de
companheiros, pois lutam e lutam a boa luta!
Minha
mensagem é para que estudem os candidatos, não caiam na falácia de que
todo político e partido é igual, pois é justamente o que a estrutura burguês almeja... Uma classe que não liga para os acontecimentos
políticos, pois assim, fica mais fácil para eles dominarem aquela fatia
totalmente desconhecedora dos seus direitos, as classes oprimidas.
Gostaria de aproveitar e pedir para que conheçam e pesquisem pelo
companheiro Tarcísio Motta que é candidato ao governo do Rio de
Janeiro pelo PSOL. Temos outros quadros também interessantes no PCB e
PSTU. Pesquisem, pois temos opção no Rio de Janeiro sim, além dos quatro
candidatos que tem despontado nas pesquisas.
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