quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Jornal 'A Voz da Cidade' entrevista Fernando Coelho

Abaixo segue a entrevista concedida ao Jornal 'A Voz da Cidade', da Região Sul Fluminense - Rio de Janeiro. 


  
1. Por que o desejo de disputar eleição?
 
Não vejo como um desejo, mas como um chamado. Tivemos as jornadas de junho, onde milhares de pessoas, jovens e trabalhadores, saíram às ruas por perceberem que suas vozes não estavam sendo escutadas pelos que deveriam representá-los. As cenas dos educadores sendo humilhados pelo aparato opressor do estado, na Alerj, contribuíram bastante também. Estes entre outros fatores.
 

2. Como avalia suas chances de se eleger?
 
Bem favoráveis. O PSOL cresceu bastante no Estado do Rio de Janeiro e nosso quociente é interessante, acho que deve girar em torno de dois 10 mil votos para uma ultima cadeira.


3. Considera importante a região ter um representante na Alerj?
 
Sem dúvidas. É necessário termos alguém que defenda os interesses da população do Sul Fluminense e não apenas de pequenos grupos de grandes empresários. Lembrando que nossos pequenos empresários são sufocados com taxas abusivas, enquanto os grandes acabam recebendo até mesmo isenções de tributos do estado.
 

4. Quais as vantagens dessa representatividade?
 
Minha proposta de mandato é de torná-lo o mais participativo possível. Defendo um mandato com democracia participativa. Minha meta é esmiuçar ao máximo as contas do governo, principalmente, o que anda sendo feito com os repasses do FUNDEB (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação). O Projeto Autonomia é muito questionado pelos educadores, também. Do meu ponto de vista, a educação deve ser pautada por quem entende, pelos educadores. E me comprometo a dar voz para que eles dirijam suas pautas ao Executivo. A vantagem é ter uma educação de qualidade e pautada por educadores. Eles serão os representantes do meu mandato junto à sociedade civil. Não quero um mandato para chamar de meu, quero um mandato para chamar de nosso.
 

5. Como você avalia a situação da Região Sul Fluminense?
 
Economicamente, acho que poderíamos explorar mais o potencial turístico da região. Rio Claro, por exemplo, é uma cidade belíssima, porém, com baixo aproveitamento do seu potencial turístico. Acho que poderíamos explorar bastante o turismo ecológico na região, temos um grande potencial.


Porém, o que me preocupa de fato, são os indicadores sociais e da violência crescente na região. Em Paraty, por exemplo, morrem jovens quase que diariamente. Estamos entre os municípios com o maior índice de homicídios no Estado do Rio de Janeiro.


A minha pauta é da educação e defendo educação, esporte e cultura nas bases da sociedade para revertermos este quadro. Abandonaram nossos jovens. Com a criação das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) no Rio, apesar da diminuição dos tiroteios nos locais onde foram implantadas, o que conseguiram foi fragmentar e espalhar o tráfico para outras regiões. As UPPs não são policiamento comunitário, como alegavam ser, e os casos recentes nos mostram como atuam fazendo uso da violência. Sou contra UPPs (Unidade de Polícia Pacificadora) e defendo a troca delas por UEPs (Unidade de Ensino Pacificadora). Não acredito que com mais violência conseguiremos superar o problema da violência. Isto mudamos com melhor formação social dos indivíduos.


Se puxarmos dados e compararmos, veremos que toda região Sul do estado teve um grande acréscimo nos índices de violência logo após a criação das UPPs. Isto é mais um indicativo que apenas deslocamos a violência para outras regiões. As UPPs não são um projeto de segurança pública. Se observarmos sua distribuição espacial, bem como as diversas remoções arbitrárias de moradores históricos em diversas comunidades, podemos  perceber que ambos estão à serviço de um projeto de cidade, de uma "higienização", que favorece apenas a especulação imobiliária.


6. Que projetos estariam dentro de sua visão estratégica para a região?
 
Minha pauta é da educação, sempre entendi como o melhor meio para superarmos quase todas as nossas dificuldades, tanto aqui em nossa região, quanto nas demais cidades do estado. Defendo que o estado invista em educação em tempo integral, principalmente nas regiões mais carentes. Quando digo educação, englobo nela esporte, cultura, lazer e saúde. Precisamos construir uma educação crítica e emancipatória, como bem pontua nosso candidato ao Governo do Estado, Tarcísio Motta. É necessário criarmos polos educacionais que funcionem como verdadeiros agentes sociais, transformar estes polos em um local amigável aos jovens.


Sem esquecer dos nossos educadores também, que estão com salários super defasados e são reféns de um sistema pseudo-meritocrático covarde. Não temos clareza quanto aos repasses do FUNDEB; ocorrem muitas terceirizações sem sentido. A educação está totalmente distorcida em nosso estado. Não podemos nem mais escolher nossos diretores por vias democráticas, por eleições. É necessário mudar e rever projetos como o “Projeto Autonomia”, que transforma a vida dos educadores em um verdadeiro tormento, tendo que percorrer uma verdadeira maratona para cumprirem seus tempos em diversos colégios diferentes.


7. Em sua opinião, quais áreas precisam de mais atenção no Sul Fluminense?
 
Todas as áreas sociais, principalmente educação e saúde. Estamos focando muito nos fatores econômicos e deixando de lado o fator mais importante: o ser humano. Tratamos muito do nosso dinheiro e abandonamos os que produzem o mesmo. O futuro progressista do nosso país está na formação de base dos nossos jovens, e se queremos um país melhor, com uma sociedade civil organizada, igualitária, com maior respeito às diversidades sociais, é necessário formá-la com dignidade e respeito.


8. Concorda com a candidatura de pessoas que respondem processo na Justiça?
 
Que respondam processo, sim. Pois estão ainda em meio ao processo e não foram devidamente julgadas. Mas sou a favor da lei da Ficha Limpa para réus já julgados e condenados. Mudaria alguns pontos do projeto, se fosse possível.
 

9. Já ocupou algum cargo público eletivo? Se sim, quais foram os principais projetos ou ações desenvolvidos durante sua gestão?
 
Estou candidato pela primeira vez, e espero poder retornar a responder esta entrevista com boas notícias sobre o nosso mandato democraticamente participativo.


10. O que acha da atuação do Detran no nosso estado, com a apreensão e reboques dos veículos com documentação em atraso, além de implicar ao contribuinte o pagamento destas despesas, outras como a diária do deposito e multa pelo atraso do pagamento? Se eleito, como pretende atuar nesta situação?
 
Péssima! Para acabar com a máfia dos reboques é necessário acabar com a terceirização deste serviço. Estes serviços sendo terceirizados levam a que os reboques e multas sejam aplicados na lógica do lucro das empresas, e não na lógica da garantia da segurança nas ruas, estradas e do respeito ao meio ambiente, como deveria ser. Existe também muita burocracia para a retirada dos veículos dos pátios, as diárias têm um valor que considero abusivo. Defendo com veemência o fim de muitas terceirizações feitas pelos governos estaduais, municipais e federais. Entendo como verdadeiros sanguessugas de verbas públicas.
 

11. Com relação ao atendimento prestado pelo Ministério da Previdência Social, o INSS não acolhe as mães que dedicam-se exclusivamente a cuidar de seus filhos em situação de doença. Em alguns casos o tratamento é imposto fora do domicilio e impossibilita que essa mãe exerça atividade profissional. Como analisa o fato de, em alguns casos, o INSS não conceder o beneficio para as mães que se encontram nessa situação?
 
A “dona de casa” realiza um trabalho que não é remunerado, mas é um trabalho importantíssimo para a reprodução da sociedade e formação dos nossos jovens. Uma mãe que precisa se dedicar exclusivamente a uma criança em situação de doença, sem dúvida alguma, deveria ser acolhida pelo INSS.
 
Portanto, é muito ruim que o INSS não conceda o beneficio nesses casos, mostrando como nossas instituições reproduzem o machismo e a desvalorização do trabalho das mulheres.


12. Espaço para recado ao eleitor:
 
Gostaria de aproveitar este espaço para alertar a população. Muitos partidos e candidatos recebem financiamento de empresas privadas em suas campanhas.E uma das coisas que aprendi com meu companheiro Chico Alencar e com o companheiro Renato Cinco, é que não existe almoço grátis, ou seja, estas empresas investem nestas campanhas para ter algum retorno futuro destes prováveis mandatos.


Meu partido (PSOL) e eu, nos recusamos a receber dinheiro de empresas. Optamos por não dever favores a empreiteiras, empresas ou banqueiros. Não esperem ver meu número em cavaletes espalhados pelas ruas, cavaletes não falam nem propõe nada, não dialogam. São meros números com nomes sem muito a dizer. O máximo que coloco nas ruas, em Paraty, é uma lixeira que utilizo para arrecadar materiais recicláveis para financiar minha campanha. 


Agradeço aqui ao jornal A Voz da Cidade pela oportunidade de apresentar minhas propostas e aos amigos leitores/eleitores por estudarem minhas propostas.

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